Notícias

Coletânea de entrevistas sobre o coletor menstrual:

noticia02
– O coletor menstrual é uma opção segura? Tem alguma contraindicação? 
JOZIANI BEGHINI – O coletor menstrual é uma opção segura desde que os cuidados com higienização do produto e os intervalos para esvaziá-lo sejam seguidos corretamente. O coletor menstrual deve ser utilizado apenas para coletar o sangue “menstrual”, e não, para conter corrimentos ou outras secreções vaginais. Não se deve utilizar o coletor menstrual para coletar a loquiação (sangramento) que permanece por alguns dias após o parto. Mulheres com quaisquer sintomas de infecção vaginal devem procurar seu ginecologista para tratá-la e obter orientação especializada antes do uso.
– Qual a forma correta de higienizá-lo após o uso? 
JB – Esvazie e higienize o coletor menstrual com frequência e o ideal seria esvaziá-lo em no máximo 4 horas, devido ao risco de maior proliferação bacteriana local. Sempre que esvaziá-lo, lave-o com água e sabão neutro pois outros produtos podem danificar o silicone. Enxague bem para retirar resíduos químicos do sabão que podem causar irritação vaginal. Ao final de cada ciclo é recomendável fervê-lo por 5 minutos em recipiente específico. Seque bem e armazene-o na embalagem própria do produto. Fique atenta para informações específicas do manual do fabricante. Seria interessante higienizá-lo novamente antes de iniciar seu uso no ciclo seguinte.
– Existe realmente alguma relação entre o uso do coletor menstrual com a diminuição da reincidência da candidíase? 
JB – O que se sabe é que à maior umidade vulvar durante a menstruação é um fator de risco para candidíase recorrente pois facilita a proliferação do fungo e surgimento dos sintomas. Assim sendo, já foi evidenciado que o uso dos absorventes externos e o menor número de trocas estão associados ao aumento das recorrências na população geral. Faz sentido pensar que a utilização dos absorventes internos ou do coletor menstrual evitaria o excesso de umidade vulvar em decorrência da menstruação e do abafamento causado pelos absorventes externos, o que diminuiria as crises. Segundo relatos do fabricante, diversas mulheres referiram diminuição nas crises de candidíase ao se usar o coletor menstrual. Por outro lado, sabe-se também que o próprio sangramento menstrual coletado pode promover alterações na microflora vaginal aumentando a predisposição a infecções bacterianas e fúngicas neste período. Como as evidências científicas são escassas e ainda não são claras, existe a necessidade de estudos mais detalhados e com um melhor nível de evidência para analisar adequadamente esta correlação.
– O uso do coletor menstrual ajudaria a minimizar a dor da cólica? 
JB – Não. As cólicas menstruais em geral acontecem pela contração do útero para eliminar o sangue menstrual e também pela passagem de grandes coágulos de sangue através do colo do útero. A mulher também pode apresentar cólicas menstruais em decorrência de determinadas doenças como endometriose, adenomiose, miomatose, etc… Quando utilizado, o coletor menstrual fica localizado na vagina para coletar o sangue que já saiu de dentro do útero. Portanto, o uso do coletor menstrual não modifica a dor da cólica.
– O coletor menstrual é uma opção mais segura que o absorvente interno?(Pergunto isso porque li um estudo que apontava para o fato de o absorvente interno, junto com outros produtos de higiene íntima, absorver não apenas o sangue da menstruação e alteraria a flora vaginal). 
JB – Conforme já dito, o sangramento menstrual por si só pode promover alterações na microflora vaginal o que pode favorecer infecções bacterianas e fúngicas. Pela falta de estudos comparando os dois produtos, fica difícil fazer qualquer afirmação. Por exemplo, um estudo mostrou que mulheres com diagnóstico de candidíase recorrente apresentaram maior risco de recidivas ao utilizarem de absorventes internos no período menstrual, porém este trabalho não avaliou o uso de coletores vaginais. O estudo citado na questão anterior que comparou os dois produtos em mulheres hígidas, não observou alterações na prevalência de infecções e sintomas urogenitais confrontando estes produtos. Portanto, na prática, parece não haver superioridade de um em relação ao outro em mulheres hígidas. Considerando os absorventes internos, faz-se necessário tecer considerações sobre a síndrome do choque tóxico, uma doença grave provocada pela proliferação de uma certa bactéria. Atualmente é muito rara em mulheres que utilizam absorventes internos. No final da década de 70, com o uso de absorventes internos super absortivos compostos por carboximetilcelulose e poliéster, houveram diversos relatos desta síndrome o que gerou preocupação quanto ao seu uso. Atualmente como estes produtos são fabricados com algodão puro que reduz a proliferação bacteriana e o fabricante recomenda a troca em intervalos de no máximo 8 horas (a meu ver deveriam ser trocados a cada 3-4 horas no máximo), o risco de síndrome do choque tóxico é mínimo, porém não é inexistente. Esta síndrome, até o momento, nunca foi relatada em mulheres usuárias de coletor menstrual. De qualquer forma, sempre vale ressaltar, que a mulher deve respeitar o intervalo de troca destes produtos.
Vale a pena trocar o absorvente interno pelo coletor menstrual? 
JB – Não existem ainda estudos que demonstrem superioridade de um em relação ao outro, mas sabe-se que são métodos bastante seguros e práticos quando usados corretamente. A escolha entre eles vai depender do quão confortável cada mulher se sente.